Este ano, todas as equipas respondem ao mesmo briefing criativo: criar uma grande ideia para a plataforma "Todos Incluídos", que liga pessoas com deficiência a oportunidades reais de emprego. Lê o brief completo abaixo ou descarrega o PDF.
Descarregar Briefing (PDF)Brief Criativo Completo
O Desafio
"Todos Incluídos" é uma plataforma que liga pessoas com deficiência (PcD) a oportunidades reais de emprego e apoia empresas a recrutar por competências (não por rótulos).
Criada pelo Inclusive Community Forum (ICF), iniciativa da Nova SBE, dedicada à vida das pessoas com deficiência, com foco nas áreas da empregabilidade e da educação.
O que oferece
- Acesso a vagas de empresas comprometidas em recrutar PcD.
- Apoio de parceiros especializados no processo de candidatura.
- Acompanhamento às empresas para identificar talento, adaptarem processos e promoverem ambientes de trabalho mais inclusivos.
Facilita assim percursos profissionais, apoia processos de seleção mais acessíveis e incentiva as organizações a adotarem práticas de recrutamento mais inclusivas.
O que já fizemos
Foi lançada uma campanha em janeiro, em parceria com WPP.
- Campanha no ar (TV, imprensa, digital, social media).
- 85 empresas já assinaram o "Compromisso com a Inclusão" (incluindo a WPP).
- Com testemunhos reais de colaboradores com deficiência.
Mas ainda há muito por fazer
Apesar do sucesso inicial desta Plataforma, com 85 empresas signatárias e elevada cobertura mediática, há espaço para crescer significativamente em conversão, nomeadamente ao nível das candidaturas de PcD.
O foco até agora foi na criação de uma base sólida de empresas recrutadoras. É preciso agora falar com as PcD.
O desafio criativo
Uma grande ideia que aumente a notoriedade da "Todos Incluídos" junto das PcD e que a posicione como a Plataforma onde sabem que o seu talento é procurado.
- Que nasça dos desafios reais das PcD e os tornem visíveis sem paternalismo.
- Que as incentive a candidatarem-se em todosincluidos.pt.
- Com soluções/ações exequíveis (ferramentas, experiências, formatos acessíveis).
Com quem vamos falar e qual o seu mindset?
PcD à procura de emprego — Profissionais com Deficiência em idade ativa (25–50 anos), com competências e ambição. Estão empregados em situações precárias ou desempregados, mesmo tendo qualificações.
Frustrações: "Nunca sou visto", "não confio que vagas sejam reais", "é por pena", "não é para mim de certeza".
Motivações: Respeito pelas competências, autonomia financeira, progressão na carreira.
"Desenvolvi resiliência, criatividade e adaptabilidade por necessidade diária. Mas empresas só veem a deficiência. Oportunidades parecem 'de favor'. Sinto-me tratado como caridade. Estou cansado. Quero ser contratado porque sou bom."
Estas pessoas não procuram pena, procuram respeito
Sabem o que valem, recusam ser "os coitadinhos".
"Não vou com a postura de vitimização, sei do que sou capaz e agora está nas mãos deles aproveitarem aquilo que eu valho enquanto trabalhador ou potencial trabalhador." — Vanessa Pinto
PcD em Portugal
Este talento imenso é sistematicamente invisível para o mercado.
- Quase 2× mais taxa de desemprego PcD vs geral
- PcD em idade ativa fora do mercado de trabalho
- Baixa representatividade no sector privado
- PcD em risco de pobreza
- Portugueses reconhecem que PcD sofrem discriminação frequente ou muito frequente
- Portugueses sentem pena das PcD
- Portugueses acham que as PcD preferem viver de apoios do estado
Fontes: Census 2021; ODDH — Estudo "Atitudes e Perceções da População Adulta Portuguesa sobre a Deficiência"
O outro lado: As empresas
Lei n.º 4/2019 — As grandes empresas (≥ 250 trabalhadores) e as médias empresas (75–249 trabalhadores) passaram a ter de cumprir uma quota de trabalhadores com deficiência de 2% e 1%, respetivamente.
Nem todas as empresas estão a cumprir. De fevereiro de 2019 a fevereiro de 2024, o IEFP recebeu cerca de 14.600 sinalizações voluntárias de vagas por empresas. Mas em março de 2025, mais de 130 empresas foram notificadas pela ACT por não cumprir.
As barreiras percebidas
- Preconceito sobre produtividade: Estigma de menor capacidade produtiva, medo de que "vão dar mais trabalho", subestimação sistemática das competências.
- Medo de custos: Crença de que adaptações são caras — mas o IEFP comparticipa até 95% dos custos.
- Complexidade percebida: "É muito burocrático", "Não sabemos onde encontrar talento qualificado", "E se houver problemas legais?"
- Visão de "Quota": Tratam como compliance, não como estratégia. Escolhem "deficiências leves" para "facilitar". Fazem o mínimo para não serem multados.
- Despreparo institucional: Admitem não saber como fazer entrevistas inclusivas, receio de fazer "perguntas erradas", falta de formação interna.
A oportunidade escondida
Contratar PcD não é um custo — é uma vantagem competitiva comprovada.
- Receita média e lucro líquido superiores em empresas inclusivas vs média (Accenture, 2018)
- Margem de lucratividade superior (McKinsey, 2018)
- Custos de contratação comparticipados pelo IEFP
- Menor turnover e maior retenção e lealdade
- Colegas adquirem novas competências profissionais e pessoais
- Maior assiduidade vs média
- Equipas mais inovadoras e criativas
Insight
Pessoas com deficiência desenvolvem resiliência, criatividade e adaptabilidade por necessidade absoluta. São problem-solvers por natureza e trazem vantagens competitivas para as empresas. Mas continuam a ser invisíveis no mercado de trabalho.
"Nunca vi comunicação dirigida para mim, especialmente sobre emprego." — Testemunho de uma PcD entrevistada no âmbito deste projeto.
Até se fala sobre PcD, mas quase nunca se fala com as PcD como profissionais talentosos. Há uma saturação de "conversa" corporativa sobre D&I. Relatórios de sustentabilidade, compromissos vagos, "inspiration porn". As PcD são o objeto desta conversa, nunca a audiência.
A Solução
Porquê a "Todos Incluídos" é diferente?
Não é uma ação de solidariedade social ou de caridade. É uma Plataforma de talento onde estão empresas que acreditam que têm vantagens competitivas em recrutar PcD, procurando-as ativamente.
Num mercado saturado de portais de emprego generalistas e de iniciativas de D&I que tratam as PcD com paternalismo ou como uma obrigação de compliance, a "Todos Incluídos" filtra o ruído e foca-se exclusivamente no mérito profissional.
- Acesso a 85 empresas comprometidas que valorizam competência e oferecem oportunidades reais.
- Plataforma acessível.
- Recursos de desenvolvimento profissional.
- Duas dezenas de parceiros que apoiam o processo.
O Disconnect
O mercado continua a inventar "razões práticas" para não contratar PcD ou está obcecado com a "conversa" — pena, paternalismo, mais um número para as quotas ou para relatórios de sustentabilidade, inspiração performativa.
As empresas falam sobre inclusão, mas não falam com as PcD como o talento que são. Ninguém fala COM elas. Falam SOBRE elas.
Enquanto isso, as PcD desenvolvem uma fadiga profunda. Porque já ouviram promessas vazias vezes demais.
"Falam de PcD mas nunca os ouvi falar comigo. Eu sei o meu valor, mas o mundo insiste em não me ver. Como posso confiar que desta vez é diferente?"
Strategic Statement
TALENTO, O RESTO É CONVERSA.
Posicionar a "Todos Incluídos" como o lugar onde o mérito é o único critério e as PcD são vistas e faladas diretamente como o talento que têm — não como quota, não como caridade, não como história inspiradora para um relatório de sustentabilidade.
- Aqui só o teu talento importa e as empresas inteligentes estão à procura dele: ninguém te está a fazer um favor, não é caridade, não vais ser "um fardo". A resiliência, a adaptabilidade, a capacidade de resolver problemas que foste forçado a aprender todos os dias não é uma fraqueza — é uma vantagem competitiva que as empresas mais inteligentes já procuram.
- Aqui falamos para ti, não sobre ti: isto não é conversa, são oportunidades reais.
- Aqui é o teu talento que escolhe: Tens um papel ativo na escolha da tua carreira, tens empresas que te oferecem oportunidades concretas.
Deliverables & Mandatórios
Uma big idea capaz de gerar barulho, idealmente chegar às notícias, e ser exequível.
Métricas: as ideias devem prever como podem ligar a todosincluidos.pt e como medem conversão e/ou impacto.
Do's
- Foco na competência: talento, capacidade, valor profissional.
- Empoderamento: PcD como talento, não beneficiários.
- Tom de voz: otimista, empoderador, confiante.
- Tipo de tratamento: PcD — tratar por "tu", ser direto, respeitoso e empoderador, sem "inspiração vazia".
- Acessibilidade no design: WCAG (contraste, tipografia, navegação), alt text, legendas, LGP, audiodescrição; testes com PcD.
Don'ts
- Paternalismo: Não queremos a história de "superação inspiradora" sem oportunidade real.
- Inspiration Porn: Não queremos PcD como "heróis" por viver vida normal.
- Caridade: Não queremos que sintam que os estão a "ajudar", "dar uma oportunidade", "a fazerem o bem".
- Evitar a dependência de uma única execução (ex.: "letras em falta").
- Tom de voz: moralista ou vago.
Não é sobre ser bom (ajudar PcD), é sobre ser bom no que se faz (as PcD)
Esses mecanismos, que mais não são do que resiliência, adaptabilidade e criatividade, fazem deste um trabalhador muito valioso, e contaminam toda a equipa. A sua inclusão cria um ambiente de trabalho mais colaborativo, de entreajuda e motivador para todos.
Cria também equipas mais fortalecidas, com mais capacidade de produção. Estes trabalhadores vestem a camisola, não são absentistas e valorizam a oportunidade que lhes está a ser dada como ninguém. Aquele não é mais um emprego, muitas vezes é a oportunidade que já não esperavam ter e pela qual tudo farão, para provar que estão à altura.
O vosso grande desafio
Como fazemos uma pessoa com deficiência sentir, pela primeira vez, que alguém a vê como o talento que ela sabe que é?
Inspiração
Versão PDF do Briefing
O briefing original em formato PDF com o layout completo da apresentação.
Descarregar Briefing (PDF)